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De professora de ioga a acupunturista

Duas mulheres em sessão de acupuntura; uma deitada relaxando, enquanto a outra prepara agulhas ao lado em ambiente sereno.

De Professora de Yoga a Acupunturista: uma jornada de cura holística com Yoga e Acupuncture

O que começou como uma vontade de compreender melhor o corpo acabou por se tornar uma busca para a vida inteira pela cura holística. Ao longo do tempo, percebi que o bem-estar não é apenas “sentir-se bem” - é criar condições reais para equilíbrio físico, mental e emocional, de forma sustentada.

Hoje, ao trabalhar com pessoas que me procuram para Yoga, Acupuncture, ou a combinação de ambos, tenho uma visão mais ampla e mais ferramentas para as apoiar a atingir objetivos concretos: aliviar dor, melhorar sono, reduzir stress e recuperar vitalidade.

As raízes: do fitness e das artes marciais ao Yoga

A minha entrada no universo do bem-estar começou pelo fitness e, pouco depois, pelo Yoga. Sempre me intrigou a capacidade do corpo para desenvolver força, fluidez e equilíbrio - valores que, primeiro, encontrei nas artes marciais e que mais tarde reconheci de forma profunda no yoga.

No início, enquanto personal trainer, fui-me aproximando daquela ligação intensa entre corpo, mente e espírito que o Yoga torna possível. Para mim, o Yoga nunca foi apenas movimento: era também cura, presença, consciência e a descoberta da força interior.

Com os anos, fui testemunhando o impacto desta prática - tanto nos meus alunos como em mim - e isso consolidou a certeza de que estava a seguir um caminho com significado.

Quando o Yoga não chega: a procura por camadas mais profundas de cura

Apesar de tudo o que o yoga oferece, comecei a sentir que queria explorar níveis mais profundos de recuperação e equilíbrio. À medida que aprofundava a minha prática e o meu trabalho com clientes, fui notando situações em que o movimento, por si só, não resolvia tudo.

Algumas pessoas lidavam com dor crónica, stress, ansiedade ou desequilíbrios persistentes que não melhoravam apenas com alongamento, respiração e prática regular. Foi aí que cresceu em mim a pergunta: que outras abordagens poderiam atuar “por dentro”, de forma complementar?

A atração pela Traditional Chinese Medicine (TCM) e a ponte com o Ayurvedic

A Traditional Chinese Medicine (TCM) sempre me fascinou pela sua forma integrada de olhar para o ser humano. A sua leitura do corpo através de equilíbrio, circulação e capacidade natural de regeneração tocava-me particularmente.

A visão de fluxo energético e harmonia interna ressoava com princípios de saúde Ayurvedic que eu já conhecia e valorizava. Quanto mais estudava e observava, mais sentido fazia unir estas perspetivas numa abordagem coerente de bem-estar.

Porquê Acupuncture: o passo seguinte, entre entusiasmo e respeito

Quanto mais eu experienciava acupuncture, mais a via como uma modalidade complementar ao que já transmitia através do Yoga. Decidir tornar-me acupunturista foi, ao mesmo tempo, entusiasmante e intimidante.

A Acupuncture pareceu-me um passo natural na minha trajetória: uma forma diferente de interagir com o corpo - não apenas no plano físico, mas também no plano energético. Mesmo sabendo que teria pela frente mais anos de estudo e prática num campo totalmente novo, optei por seguir a minha curiosidade.

Tinha consciência de que seria necessário um compromisso sério, mas a possibilidade de ajudar pessoas de forma tão profunda deu-me o impulso para avançar. A formação foi exigente, mas reacendeu a mesma paixão que senti quando comecei a ensinar yoga.

Formação híbrida em Atenas: exigência, prática intensiva e um mundo ligado por aulas online

Estudei no Athens College of East Asian Medicine, num formato híbrido que combinava fins de semana longos de aprendizagem online, aulas ao final do dia e blocos intensivos de prática em Atenas. Não trocaria essa experiência por nada.

A componente de online learning deu-me acesso a professores espalhados pelo mundo. Houve uma fase em que as minhas quartas-feiras “passavam” por Pequim, as noites decorriam com aulas a partir de Londres, e os fins de semana aconteciam no centro de Atenas. Também tive docentes a ensinar a partir de Itália, Portugal, Holanda e Canadá.

Os meus colegas eram cipriotas, gregos, letões e irlandeses.

O que a Acupuncture me ensinou sobre o corpo: Qi, sistemas e padrões além do músculo e osso

A Acupuncture abriu-me a compreensão do corpo para lá da estrutura músculo-esquelética. Aprendi a reconhecer o subtil fluxo de Qi (energia), os percursos energéticos que formam uma espécie de teia por baixo da pele, e a forma como bloqueios nesse fluxo podem surgir como dor física ou sofrimento emocional.

Passei a observar padrões, sinais e relações entre sistemas - não como peças isoladas, mas como um conjunto que procura, constantemente, voltar ao equilíbrio.

Como Yoga e acupuncture se complementam: equilíbrio através de movimento, respiração e canais energéticos

Uma das descobertas mais gratificantes deste caminho foi perceber, na prática, como yoga e acupuncture se complementam. Em ambos, a intenção central é restaurar equilíbrio - seja através do movimento e da respiração, seja através da inserção de agulhas para estimular canais energéticos.

O Yoga ajuda a preparar o corpo e a mente para uma cura mais profunda, criando espaço, mobilidade e atenção. Já a acupuncture atua diretamente nos sistemas energéticos do corpo, apoiando a resolução de questões de dentro para fora.

Na prática clínica e nas aulas: integrar para servir melhor

Atualmente, vejo estas práticas como partes de um mesmo mapa de bem-estar. Quando alguém chega até mim, posso orientar um percurso mais ajustado: por vezes começa com Yoga para regular o stress e melhorar postura e respiração; noutras situações, a Acupuncture é o ponto de partida para reduzir dor e acalmar o sistema nervoso, abrindo caminho para uma prática física mais confortável.

Em Portugal, onde o ritmo de vida, as horas sentadas e a carga de stress se fazem sentir no corpo, esta integração torna-se especialmente útil - seja para quem vive com tensão cervical, lombalgias recorrentes, fadiga, ansiedade ou perturbações do sono.

Outros aspetos importantes: segurança, consistência e expectativas realistas

Ao integrar Yoga, Traditional Chinese Medicine (TCM) e Acupuncture, aprendi também que o progresso depende de consistência e de expectativas claras. Há casos em que uma sessão traz alívio imediato; noutros, o corpo precisa de tempo para reorganizar padrões antigos.

Da mesma forma, segurança e adaptação são essenciais: o que é “bom” numa aula de Yoga nem sempre é indicado em fases de dor aguda, e a Acupuncture deve ser sempre aplicada com avaliação cuidada e acompanhamento adequado, respeitando o histórico e as necessidades de cada pessoa.

Um caminho que continua: aprender, integrar e ajudar a viver com mais equilíbrio

O desejo inicial de aprofundar o meu conhecimento do corpo transformou-se num compromisso duradouro com a cura holística. Tornar-me acupunturista expandiu a minha forma de ver o bem-estar, e continuo motivada a integrar estas práticas para apoiar outras pessoas a viverem de forma mais saudável, estável e equilibrada.

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