E o que é o Yoga?
O yoga está longe de ser apenas “ganhar flexibilidade” ou fazer posturas impressionantes (embora isso também possa fazer parte, se for o seu objetivo). Trata-se de uma modalidade de atividade física que junta movimento, atenção plena e exercícios respiratórios. Talvez já tenha ouvido a expressão “ligar a mente ao corpo” - pode soar estranho, porque a mente faz parte do corpo, mas a ideia é simples: o yoga tende a aumentar a consciência corporal e a forma como percebemos sensações, tensão e movimento.
A combinação de posturas específicas com respiração profunda tem sido associada a benefícios físicos e psicológicos, como ajudar a regular o sistema nervoso, diminuir o stress e apoiar o bem‑estar mental. Para muitas pessoas, o yoga é também uma forma estruturada e segura de voltar a mexer o corpo com mais confiança.
O que é dor persistente?
A dor é uma sensação que costuma surgir quando nos magoamos e, em regra, esperamos que diminua à medida que os tecidos recuperam. Nessa fase, a dor pode ser útil: funciona como um alarme do cérebro para nos proteger, por exemplo impedindo-nos de continuar a correr com um tornozelo torcido.
Já a dor persistente (por vezes designada por dor crónica) é aquela que se prolonga para além do tempo habitual de cicatrização. Ou seja, a pessoa pode sentir dor mesmo sem estar a ocorrer, naquele momento, uma lesão ativa dos tecidos. Nestes casos, o cérebro pode estar a atuar de forma “demasiado protetora”, o que deixa de ser funcional e pode limitar a vida diária e o regresso ao exercício, apesar de o corpo estar, em muitos cenários, seguro para voltar a mexer.
Esta dor pode surgir quando o sistema nervoso se desregula e passa a interpretar como dolorosos estímulos que normalmente não seriam. Um exemplo frequente é o stress elevado, que pode aumentar a sensibilidade do organismo aos sinais de dor. É um fenómeno que nem sempre é intuitivo e, muitas vezes, compreender o que está a acontecer - e como gerir - requer apoio profissional. Além disso, esta dor tende a ser influenciada e/ou intensificada por vários fatores, como o sono, o stress e o bem‑estar psicológico.
Como pode o Yoga ajudar na dor persistente (dor crónica)?
Como referido, a dor persistente é frequentemente alimentada por fatores como dormir mal, stress, ansiedade, humor em baixo e medo de se mexer. O yoga pode ser uma ferramenta útil para atuar sobre estes componentes psicológicos e já demonstrou benefício no contexto do tratamento da dor persistente.
Aliás, o American College of Physicians recomenda atualmente o yoga como terapia de primeira linha para dor lombar crónica. Para além disso, existe evidência crescente de que o yoga pode contribuir para melhorar a dor, a qualidade de vida e a funcionalidade em várias condições, incluindo fibromialgia (Macfariane et al. 2017), dor lombar (Anheyer et al. 2022), dores de cabeça (Carnero et al. 2023; La Touche et al. 2023), dor cervical (Gao et al. 2024) e dor associada à artrite (Lu et al. 2024).
Um ponto importante é que o yoga pode ajudar a reduzir o receio do movimento através de uma exposição gradual e controlada: em vez de “forçar”, aprende-se a dosear esforço, a reconhecer sinais do corpo e a voltar a confiar na capacidade de mexer com segurança. Isto pode ser especialmente relevante quando a dor leva à evitação de atividade, o que, por sua vez, pode diminuir a tolerância ao esforço e perpetuar limitações.
Além disso, o foco na respiração e na atenção plena pode ajudar a modular a resposta ao stress e a acalmar o sistema nervoso, o que é particularmente útil quando a sensibilidade à dor está aumentada. Em termos práticos, para quem vive em Portugal com rotinas exigentes, muitas horas sentado(a) ou níveis elevados de stress laboral, incorporar sessões curtas e regulares (mesmo 15–20 minutos) pode ser uma forma realista de apoiar a gestão da dor e melhorar a consistência do movimento.
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Por Rhiannon Walters
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