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Hatha Yoga em Portugal: o papel da aptidão física numa tradição focada na mente

Mulher a praticar ioga numa sala iluminada, fazendo uma postura de alongamento.

Hatha Yoga em Portugal: o papel da aptidão física numa tradição focada na mente

Na maioria das tradições clássicas de yoga, o objetivo central passa por acalmar a mente através de concentração sustentada e atenção deliberada. Ainda assim, entre as várias linhagens, é no hatha yoga que o componente de condição física tende a assumir maior destaque, com uma ênfase clara no trabalho corporal e respiratório como via para o equilíbrio global. [1–4]

Benefícios do hatha yoga na aptidão física: força, resistência e capacidade respiratória

A investigação sugere que a prática regular de hatha yoga pode estar associada a melhorias mensuráveis em diferentes componentes da aptidão física, incluindo:

  • Aumento da força de preensão manual (hand-grip) [5]
  • Melhoria da resistência muscular [6]
  • Ganho de flexibilidade [7]
  • Aumento do consumo máximo de oxigénio (VO₂máx) [8]
  • Redução da percentagem de massa gorda [9, 10]
  • Aumento da capacidade vital forçada (FVC) e do volume expiratório forçado no 1.º segundo (FEV1.0) [11, 12]

Como estes ganhos podem traduzir-se no dia a dia

Na prática, estas alterações podem ter impacto em tarefas comuns. Por exemplo, maior força de preensão pode facilitar atividades como transportar sacos de compras ou segurar ferramentas; mais flexibilidade pode contribuir para movimentos mais confortáveis ao calçar sapatos ou subir e descer escadas; e melhorias em métricas respiratórias como FVC e FEV1.0 podem refletir uma maior eficiência ventilatória durante esforço, como caminhar a passo rápido, pedalar ou subir uma ladeira.

Em contexto português, onde muitas pessoas alternam entre trabalho sedentário e deslocações a pé ou de transportes, integrar hatha yoga 2–3 vezes por semana pode funcionar como complemento acessível a rotinas de atividade física, sobretudo quando o objetivo é combinar mobilidade, controlo postural e atenção ao padrão respiratório.

O que poderá explicar as melhorias observadas

Embora os estudos referidos descrevam resultados, faz sentido considerar alguns mecanismos plausíveis. A manutenção de posturas (ásanas) pode estimular adaptações neuromusculares relacionadas com resistência e controlo motor, ao mesmo tempo que o treino gradual de amplitude articular pode favorecer a mobilidade. Já as práticas respiratórias (como pranayama, em alguns protocolos) podem estar relacionadas com alterações na forma como se utiliza a musculatura respiratória e com maior consciência do ritmo ventilatório, o que pode refletir-se em testes funcionais do pulmão, como FVC e FEV1.0 [11, 12].

É também relevante notar que o hatha yoga, apesar de frequentemente ser visto como “suave”, pode variar bastante em intensidade conforme a sequência, o tempo de permanência nas posturas e o nível do praticante-o que ajuda a compreender porque alguns estudos reportam efeitos em componentes como VO₂máx e composição corporal [8–10].

Referências

  1. Lidell L. The Sivananda Companion to Yoga. New York, NY: Simon & Schuster Inc.; 1983.
  2. Dass BH. Ashtanga Yoga Primer. Santa Cruz, CA: Sri Rama Publishing; 1981.
  3. Worthington V. A History of Yoga. London, UK: Routledge and Kegan Paul; 1982.
  4. Zorn W. Yoga for the Mind. New York, NY: Funk & Wagnalls; 1968.
  5. Madanmohan, Thombre P, Balakumar B, et al. Effect of yoga training on reaction time, respiratory endurance and muscle strength. Indian J Physiol Pharmacol. 1992;36(4):229–233.
  6. Ray US, Hegde KS, Selvamurthy W. Improvement in muscular efficiency as related to a standard task after yogic exercises in middle aged men. Indian J Med Res. 1986;83:343–348.
  7. Gharote ML, Ganguly SK. Effects of a nine-week yogic training programm on some aspects of physical fitness of physically conditioned young males. Indian J Med Sci. 1979;33(10):258–263.
  8. Balasubramanian B, Pansare MS. Effect of yoga on aerobic and anaerobic power of muscles. Indian J Physiol Pharmacol. 1991;35(4):281–282.
  9. Bera TK, Rajapurkar MV. Body composition, cardiovascular endurance, and anaerobic power of yogic practitioner. Indian J Physiol Pharmacol. 1993;37(3):225–228.
  10. Madhavi S, Raju PS, Reddy MV, et al. Effect of yogic exercises on lean body mass. J Assoc Physicians India. 1985;33(7):465–466.
  11. Bhole MV, Karambelka PV, Gharote ML. Effect of yoga practices on vital capacity (a preliminary communication). Indian J Chest Dis. 1970;12(1):32–35.
  12. Joshi LN, Joshi VD, Gokhale LV. Effect of short term “pranayam” practice on breathing rate and ventilatory functions of lung. Indian J Physiol Pharmacol. 1992;36(4):105–108.

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